É, eu sei, tou devendo uma blogada desde novembro. Acontece que fiquei distraído pelo efeito doppler do zunido dos meus prazos se aproximando. Coisas pra fazer “o mais rápido possível” também.
Divagações à parte, agora estou no processo de escrever minha dissertação de mestrado e senti que uma forma de procrastinação produtiva seria emperequetar o modelo de LaTeX que o Chico gentilmente me cedeu. Entre as emperequetagens está a possibilidade de obrigar os capítulos a começarem na página do lado direito quando o documento (das classes report ou book) está configurado para impressão frente e verso (twoside). O problema é que dissertações de mestrado costumam apresentar páginas de agradecimentos (para regristrar quem pagou a bolsa) e resumo em português e inglês. Por razões tipográficas, é conveniente chamar cada um deles de capítulo não numerado. Nesse caso, mandar o LaTeX inciar todo capítulo na página da direita vira um desperdício de papel e chato de ler (principalmente porque todo mundo pula essas cosias, então acaba sendo somente mais páginas para nosso querido leitor virar). Consegui uma solução esperta para o problema definindo dois novos comandos.
A solução veio no canal IRC #latex da rede irc.freenode.net. Foi meio vergonhoso, pois tudo que o cara fez foi olhar o código fonte da classe bool (book.cls) e ver como ele fazia pra definir o openright e o opnany. Deu aquela sensação chata de “como não pensei nisso antes?”. Definimos então dois comandos:
\mekatletter\newcommand{\openany}{\@openrightfalse}\newcommand{\openright}{\@openrighttrue}\makeatother
Com isso, basta colocar \openany no ponto a partir do qual queremos que os capítulos comecem em qualquer página e \openright no ponto a partir do qual os capítulos devam começar somente na página da direita.
Aos poucos vou colocando mais dicas aqui. Até!
Faz tempo que estou devendo um post. Este, em particular, eu queria colocar no ar entre o primeiro e o segundo turno das eleições, mas nunca tive tempo.
Qualquer um que leia notícias sobre São Paulo sabe que o principal problema que o paulistano enfrenta é o transporte. Seja o transporte público, seja deslocar-se com seu carro pela cidade. Há muitas formas de abordar esse problema em busca de uma solução. A minha preferida é o uso de trilhos.
Não estou falando só de metrô, não. Estou falando de reduzir o número de caminhões que atravessam a cidade. Eu ainda não me conformo com o tal “prgrama de aceleração do crescimento” não incluir ferrovias de modo a depender de gastar um litro de diesel por quilômetro por tonelada de carga e dizer que isso é acelerar o crescimento.
Voltando à cidade. Para transportar pessoas, sim, a solução é metrô. As ruas já estão saturadas. De carros, caminhões e de ônibus. Entretanto, a maneira com que o metrô está se desenvolvendo na cidade não vai ajudar em nada. Pelo contrário, vai resultar em mais pessoas ensardinhadas.
O principal problema é a estrutura em estrela da nossa rede metroviária. Leia mais »
Eis um blog-topic dentro do meu próprio blog. Que absurdo!
Bom, semana agitada, muita coisa pra fazer e aquele zunido de prazos voando de que o Douglas Adams tanto gosta.
Dei, portanto, a este blog menos atenção do que pretendia. Não que não houvesse o que escrever aqui. Aliás, essas coisas estão se empilhando (na verdade, formando um monte). Isso inclui divagações sobre a cultura de lavar (ou não) as mãos depois (ou antes) de ir ao banheiro, a falta de valorização do esporte por parte dos brasileiros, o acordo ortográfico que criou uma regra pro hífen — e só isso que prestasse. Voo de linguiça heroica de cu é pelo de rola). — Preciso ainda escrever sobre ciência e informática. Preciso satisfazer às curiosidades daqueles que chegam aqui através do Google (cada busca que as pessoas fazem e caem aqui que vocês nem imaginam!).
Mas isso fica pra depois que eu me desatolar do mestrado, do artigo, das disciplinas, da monitoria, do alemão… Pelo menos meus dias sem carro estão me deixando ler a obra do Douglas Adams. Estou no Capítulo 22 do Restaurante no fim do universo e avançando. É uma vergonha ter um livro daqueles na estante e não lê-lo, principalmente pela qualidade e pela pechincha que foi!
O Ministério da Saúde lançou uma campanha de vacinação de adultos contra a rubéola. O público alvo da campanha são os adultos de 20 a 39 anos de idade e as imunizações ocorrem até 12 de setembro de 2008. Não esqueça seu cartão de vacinação e ajude a divulgar essa campanha pela blogosfera.
Links úteis:
Discurso a ser proferido no mezanino do restaurante depois que uma criança cuspir na sua mesa.
Bom {dia | tarde | noite}, ó mais caros comensais. Tenho o prazer de fazer algumas de minhas refeições neste maravilhoso restaurante e gostaria de pedir a esta digníssima clientela a honra de me emprestarem seus ouvidos por alguns minutos para que eu tenha o prazer de compartilhar minha curiosa experiência.
A família reunida para {jantar | almoçar} numa bela {tarde | noite} de <insira o dia da semana aqui> forma uma imagem assaz agradável. O jovem marido sorrindo para a esposa, a esposa se esforçando para sorrir de volta para o marido enquanto se preocupa em limpar a bebida que o caçula, ainda analfabeto, coitado, esparramou pela mesa. A avó tentando mostrar ao avô quão fofinho é o netinho, analfabeto ainda, coitado; o avô mais preocupado em saber se eles vão voltar pra casa a tempo da sesta antes do futebol das 16h. O menino, irmão do meio, acaba de transformar a faca em uma espada gigante mortal que ataca impiedosamente a entidade extra-terrestre verde folhosa inominável, sediada em seu prato, que quer destruir o mundo. A menina mais velha nascida neste século, ainda pueril, trajada com aquele vestidinho cor-de-rosa com uma saia que imita aquelas de bailarina, que ela insistiu em usar para combinar com a roupa da filha da vizinha do terceiro andar, de quem ela não desgruda e que ela arrastou junto consigo para o restaurante e com quem corre pra lá e pra cá.
Sem dúvida é uma cena pitoresca. Para alguns, esse tipo de coisa acontece nas festas como dias dos pais ou das mães, para outros é um evento semanal. Para alguns é só comida, para outros é um evento social, com toda a sua pompa e a estrita proibição aos infantes: “Onde já se viu cortar espaguete com a faca? Tem que enrolar ajudando com a colher!” e lá vai a criança, que mal fecha os dedos em torno da colher, se esforçar para fazer a famosa manobra com a pasta. (Todos sabem que a maior parte do molho vai acabar parando no vestidinho rosa que a mamãe tinha comprado pra festa da Claudinha…)
Ah, as crianças… Alguns as chamam de futuro da Nação. Certamente têm razão. Um dia este homem vai morrer e seu filho vai tomar seu lugar no mundo (até lá, ele já deve ter deixado a rúcula dominar o mundo em paz). Um dia a menina de vestido cor-de-rosa vai vestir um tailleur e montar planilhas eletrônicas que mostram claramente os caminhos que uma grande multinacional deve tomar. Mas, por enquanto, são apenas ciranças. São apenas matéria-prima para o futuro da nação. E alguém deve manipulá-las (educá-las, diriam alguns) para saberem o que fazer quando a nação estiver em suas mãos.
Parte importante dessa educação é deixar o rapaz matar o monstro verde folhoso extra-terrestre que começa a invadir o mundo pelo seu prato de salada. É não privar a menina pré-púbere do prazer de ver objetos caindo de alturas para ela estonteantes. Entretanto, muitos já ouviram a máxima “Para tudo tem limite”. Pois é. Eu certamente não gostaria de viver em um país em que a pré-púbere não é ensinada que pode derrubar o que quiser da altura que quiser desde que não quebre nada nem machuque ou ofenda ninguém. Além disso, seria muito saudável que o futuro da Nação estivesse ciente que nossas secreções são coisas que devemos guardar para nós mesmos, exceto em condições muito especiais, que os pré-púberes já sabem que existem e que os pais insistem em achar que não sabem que eles sabem.
É nesse contexto, queridos comensais, que fundamento este discurso. Pais que não repreenderem suas crianças quando elas cospem do mezanino sobre a mesa de alguém certamente não ligam muito para o futuro da nação. Num declive escorregadio astuto, podemos logo imaginar uma sociedade em que alguém pode ficar ofendido se não cuspirem em sua mesa no restaurante; ou ficaria honrado se alguma autoridade nela cuspisse.
Por isso vim aqui lhes dirigir a palavra. Para informar aos pais que alguma criança cuspiu, daqui do mezanino, na minha mesa, segundos antes de me servirem a refeição. Não vou acusar ninguém, nessa mesma idade me ensinaram que quando aponto um dedo a alguém há três dedos apontados para mim. Vim apenas informar e esperar que a criança responsável assuma sua atitude perante seus pais e que seus pais tomem a providência que acharem mais adequada, em que pesem as palavras que aqui proferi.
Chegou o momento de me despedir, prevalecendo-me do ensejo para reiterar a Vossas Senhorias protestos de elevada estima e consideração caso eu receba da família responsável um pedido de desculpas em minha mesa. Tenham todos o ótimo apetite que eu quase perdi minutos atrás.
Sabe aquela história de saber exatamente o que dizer em dado momento, só que atrasado algumas horas? Bom, quando cuspiram na minha mesa, eu só pedi pra garçonete limpar e avisar a dona do restaurante. Minutos depois, eu vi a família se retirando, a loirinha de vestido cor-de-rosa estava com aquela cara de “mas o que aconteceu?!?!”…
